Não sei se as pessoas tem a mesma percepção minha acerca da educação no Brasil. Agora que estou fazendo uma licenciatura percebo coisas que antes não percebia quando estava de fora do meio. Vejo que a escola é reflexo direto da sociedade que estamos inseridos. Educação para todos não significa qualidade de ensino para todos.
De fato o acesso às escolas aumentaram muito do final do século passado para cá, que aumentam as oportunidades de todas as camadas sociais ascenderem socialmente através de sua escolaridade, é notório que de em geração e geração o nível de escolaridade vem aumentando, o nível de analfabetismo diminui.
Mas a sociedade capitalista que estamos inserido deseja que haja um ensino de qualidade? a quem interessa que o povo não tenha acesso ao conhecimento, ao senso crítico que é desenvolvido dentro das salas de aula. Sempre se fala dos políticos que querem o povo ignorante para a eleição desse tipo de politico seja mais fácil.
Mas não é só os políticos que desejam uma educação de má qualidade, a própria sociedade deseja isso, ou seja, empresas desejam mão de obra barata; a classe média deseja empregados domésticos, pedreiros; então a escola tem que ser formadora de mão de obra para o sistema capitalista que estamos inseridos.
Isso explica o afunilamento tão grande entre todos os níveis educacionais, já que há somente uma média de 15% da população com nível superior. Esse afunilamento é o que é mais cruel do sistema capitalista, pois a escolaridade esta relacionada diretamente a carreira profissional que seguirá no futuro.
Logo, para se manter a estrutura de poder implantada no Brasil, interfere-se na educação para que não haja deslocamento social das camadas mais baixas para mais altas, por isso a qualidade de ensino cai de forma assustadora. Não é interessante para a sociedade ter mão de obra qualificada, consequentemente mais cara. O sistema é conservador.
O mais cruel disso tudo que apesar da ilusão de termos educação para todos, não há igualdade de oportunidades para todos, a educação de qualidade é para alguns, selecionados pela sua condição financeira, ou por provas seletivas que segregam os piores para uma educação medíocre. O principal papel da educação, ao meu ver, é preparar o aluno para a vida, desenvolver seu senso critico, preparar para seguir com suas próprias pernas.
A população assiste a isso tudo, passivamente, não se organiza, não exige seus direitos. A constituição garante o acesso a escola, mas a qualidade só com a pressão politica, incentivos aos professores - não só salariais, como condições adequadas de trabalho e a busca de excelencia de ensino, acho que por isso quero ser professor, para deixar num futuro alunos mais preparados para vida.
Eu concordo com o que vc diz e faço um adendo:
ResponderExcluirAlém de tudo isso que vc disse, muitas famílias não se importam realmente com o que acontece com os seus filhos ou o que eles fazem fora de casa.
Para muitos desses pais o importante é conseguir um diploma de ensino médio para mostrar que o filho terminou a escola, não importa em que condições tenha terminado.
São pais que, inclusive, pressionam a escola para que seus filhos sejam aprovados de qualquer maneira, que reclamam porque os professores passam dever de casa, e aprovam todo e qualquer comportamento do filho, ainda que a má companhia para os filhos dos outros seja o seu próprio filho.
Mesmo nas faculdades, quando já se tem um nível de autonomia bastante grande, e até mesmo total, há aqueles que procuram sempre os meios mais fáceis e até mesmo desonestos para se formar. E isso também reflete na baixa qualidade da formação profissional.
Muitos países publicam os rankings dos alunos. Aqui isto é considerado constrangimento ilegal, e existem pedagogos que afirmam que tal prática estimula um clima de competição que seria prejudicial ao desenvolvimento do aluno. Mas a nossa sociedade não é extremamente desigual e competitiva?
Valeu a participação, muito construtiva.
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